sábado, 22 de maio de 2010

A Resposta

Quando muito jovem, pensou
Naquilo que nunca em seus pensamentos
Poderia passar.
Era ela um um sonho?
Um sonho que passará.

Quando muito jovem,
Quis aquilo que não poderia ter
Pensou aquilo que nunca se há de dizer:
Desejos e vontades estranhas
Por alguém que em sua vida acabara de aparecer.

Pela janela a via passar
Durante todos os dias assistia
O deslizante jeito como ela andava,
A forma intrigante como ela se vestia,
A dissimulação com a qual ela sorria,
O misterioso e agradável jeito como ela o enfeitiçava.

O medo tomou-o então.
O medo do claro, do incerto...
O medo do novo, do o medo de
Não ser forte para disfarçar...
O seu desejo, já inutilmente escondido .

Ela tinha um deslizante andar
Um rosto lindo, reluzente...
E idéias cintilantes às quais ele
Adorava questionar.

Ele tinha um sorriso arrasador,
Um olhar conquistador...
Jogava com palavras e assim a conquistou.

Quando se deu conta,
Ele e Ela, anteriormente separados
Passaram a Eles, secretamente ligados.
O que mais temiam então aconteceu:
Deram-se conta de que uma paixão surgiu,
Uma paixão insana, ardente,
Completamente louca e inconseqüente.

A ciência da impossibilidade
Da existência de um ‘Nós’,
Plantou nos pobres corações
Sementes de Angústias, Remorsos,
Dores e Frustrações.

Tão juntos, mas tão separados
Tão distantes fisicamente,
Porém tão enlaçados sentimentalmente...
E, secretamente, por seus olhares eternamente ligados.

Ele e ela, a esta altura Eles,
Preferem crer que o momento presente
Em um segundo torna-se passado.
Aquilo que se sente, é algo errado...
E em alguns segundos passará...

Vai passar, vai passar.
Como as águas de um rio,
Como uma chuva de verão,
‘Eles’ irá passar,
Voltarão a ser Ele e Ela.
Mas o prosseguirão, para sempre
Pensando que tudo o que se sentiu
Foi, triste e deliciosamente, em vão.

domingo, 2 de maio de 2010

Futuro do Pretérito

Eu queria ser um pássaro,
Eu queria saber voar.

Eu queria no futuro do pretérito,
pois com minhas asas não posso viajar.

As asas que tenho não suportam sequer minha liberdade,
Tenho de continuar a caminhar.

Meus pés já não aguentam,
minhas asas quero usar.

Caminhar torna-se muito chato,
quando se deseja aprender a voar.